Precisamos falar sobre Jacquemus

// híbrida
3 min readAug 31, 2020

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Mentalize um picnic ensolarado com frutas frescas, flores recém colhidas para decorar, e um vinho rosé gelado, acompanhado de tambores animados, um baixo dramático, acordeon e chocalhos, com uma leve brisa de verão ao fundo, à beira de uma praia com ondas suaves na Riviera Francesa, e céu azul. Nessa cena, os personagens com certeza usam Jacquemus.

A marca jovem comandada por Simon Porte Jacquemus, natural de Provence no Sul da França, entrega tudo isso e mais um pouco quando pensamos o sobrenome de solteiro de sua mãe e que leva o nome da marca às mais conceituadas celebs, jornalistas, editores de moda, e bloggers. Suas peças que incluem masculino, feminino, e acessórios (pay attention) são além de objetos de desejo, um livro aberto no qual mentalizamos o cenário acima como sua essência — assim como pensamos em jeans quando ouvimos Calvin Klein, tapete vermelho quando ouvimos Valentino, e tradição quando ouvimos Chanel.

Com referencias de sua infância (desde brincos com arcos de cortina, paleta de cores sóbrias e tons pasteis que remetiam à casa que morou quando criança, e um paletó desconstruído com corte frontal remetendo a crianças que brincam com as roupas dos pais) suas peças são repletas de tecidos fluídos, simplicidade, frescor, e muito sentimento aliado ao seu storytelling. Simon brinca com o lúdico, o desejo, e a sensualidade mas nunca abandona as referencias de sua infância e o mood de eterno verão da marca, que contrasta minibags, hit da grife desde 2017, e gigantescos chapéus de palha.

Seus desfiles, sempre emocionantes e inovadores (cenários como campos de lavanda, piscinas, quadros em branco, e plantações de trigo) têm como marca principal sua entrada final quando aponta para cima reverenciando sua falecida mãe, que nomeia a grife e é motivo principal de sua história e começo de tudo, quando fez uma saia para Valerie aos 7 anos com tecido de cortina. É impossível não se arrepiar assistindo aos seus shows, sabendo de sua história (que quebra o tradicionalismo do mercado, e nunca teve formação em moda, nem estagiou em grandes grifes), sua paixão pelo seu trabalho, e desejando cada peça apresentada a cada coleção. O que para muitos parece clichê quando ouvimos que devemos fazer o que se ama -no matter what- e os resultados virão com o tempo, tem Simon Porte Jacquemus como garoto propaganda.

Quer saber mais? Confira no link a cobertura de Loic Prigent de um de seus mais emocionantes desfiles que conta o começo de tudo, com looks que poderiam ser feitos por uma criança, e até uma supermodel francesa dos anos 90 que Simon via na mídia, representando sua mãe.

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